quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Novas Oportunidades

"As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas".

Sun Tzu, "A Arte da Guerra"

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Queijo: Andaremos esquecidos?

A Lactogal vai finalmente encerrar a fábrica de queijos de Sanfins (Rocas do Vouga). Há uns anos atrás vaticinei mais uma tragédia no desemprego de Sever do Vouga, concelho já habituado ciclicamente a estas crises.
Primeiro foi o encerramento das minas do Braçal, após a 2ª. Guerra Mundial, que lançou milhares de severenses por todo o mundo, durante várias décadas. No início da década de 80, no secúlo XX, foi a vez das Massas Vouga, em Paradela do Vouga, remeter centenas de pessoas para o desemprego. Nos finais da mesma década foi a empresa Severo de Carvalho que também contribuiu.

E agora? Agora não fossem grandes empresas como a Martifer, A. Silva Matos ou Seveme e lá estaríamos nós novamente a lamentar-nos. A morte desta unidade fabril também há muito que era referida...

O fecho da unidade fabril da Lactogal de Sanfins é como que a derrocada final da nossa agricultura tradicional. Há muito que os agricultores, e sobretudo os produtores de leite, passaram a ser minoritários. Primeiro receberam dinheiro para comprarem ordenhas mecânicas, depois receberam dinheiro para venderem a quota leiteira.

O resultado foi que não só vendemos as "hortaliças", como também a própria "horta" que nos alimentava. E o resultado está à vista. Mas as razões da deslocalização não se ficam por aqui. As acessibilidades também contam. A política errada das Estradas de Portugal em lançar o IC35 para Ocidente do concelho de Sever do Vouga vai dar razão à Lactogal em transferir a fábrica de Sanfins para Oliveira de Azeméis, onde espera investir 50 milhões de euros.

O famoso queijo Gresso, líder incontestado nos flamengos, pela sua qualidade, foi canibalizado pelas outras marcas da Lactogal. Uma estratégia economicamente acertada se tivermos em conta que o objectivo era acabar com a unidade de produção de Sanfins. Mas a concorrência apercebeu-se desta oportunidade e a Lactogal perdeu a liderança.

Os flamengos mais vendidos em Portugal são actualmente o Limiano (com uma quota de mercado de 23%) e o Terra Nostra (18%), duas marcas dos franceses da Bel que se preparam para investir 23 milhões de euros numa nova fábrica na Ribeira Grande (Açores). O flamengo mais vendido pela Lactogal é agora o Agros, com uma quota que ronda os 13%. E o Gresso onde estaria se existisse em mais quantidade no mercado? Resultado: a Bel detém 50% da quota do mercado, enquanto a Lactogal se fica pelos 25%.

Os portugueses comeram em média 6,2 quilos de queijo, em 2006. Três vezes menos que os italianos. Mas a maioria dos queijos que comemos são importados ou produzidos por estrangeiros quando tínhamos o melhor queijo!!! Há aqui qualquer coisa que me escapa... Será que o queijo estrangeiro nos fez esquecer de alguma coisa?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

The Office-O Escritório

A TVI passou a transmitir às quintas-feiras, após a maratona das novelas, a série "The Office"-O Escritório onde Steve Carell dá vida ao personagem criado e popularizado por Ricky Gervais na versão britânica.


A série mostra o dia-a-dia do escritório de uma empresa cujo chefe "Michael Scott" (Carell) é conhecido pelas piadas de mau gosto e o "dom" de criar situações inconvenientes e constragedoras entre os funcionários. A série é apresentada como se de um documentário se tratasse.
Recomendo àqueles, como eu, que gostam de humor requintado. Ainda para mais ironizando, quando não é ridicularizando, muito daquilo que os estudantes de Gestão ou Economia aprendem nas faculdades. Penso que se trata de uma série que muitos professores poderão apresentar nas aulas dos finalistas, preparando-os para a vida real.


Carell recebeu no ano passado o Globo de Ouro para melhor actor em série televisiva, e "The office" o Emmy para melhor série de comédia. Em 2007 o sindicato de actores norte-americanos (Screen Actors Guild) distinguiu o elenco na categoria.
Criada por Ricky Gervais, que interpretava o papel principal, e Stephen Merchant, a versão britânica data de 2001. Em Portugal esta foi exibida pela RTP e pelo People+Arts, no cabo. A série foi também adaptada em França, Canadá e Alemanha.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

VougaPark e as Empresas Municipais

Não resistindo a um apelo de tornar este espaço mais opinativo gostaria de falar um pouco sobre Empresas Municipais.

É certo e sabido que a maioria são centros de despesismo e de emprego de amigos (os chamados "jobs for the boys"). Mas também é certo que nunca podemos confundir as árvores com as florestas. Generalizou-se a ideia que as empresas municipais são perfeitamente dispensáveis e na maior parte dos casos essa é uma realidade factual. O caso da Vougapark afigura-se como uma excepção. Viabilizei na Assembleia Municipal a sua criação, mesmo sabendo que o partido no qual milito é contrário à filosofia da sua existência.

A Vougapark poderá ser um motor de desenvolvimento económico da região do Vouga. A ideia que está na base da sua criação é a formação de mão-de-obra qualificada, rentabilizando um espaço abandonado adquirido pela Câmara Municipal de Sever do Vouga (a fábrica das massas, em Paradela).

A presença de algumas empresas no capital social, como a Martifer, a A. Silva Matos ou a Seveme, apenas para citar algumas, é por si um garante de que esta empresa municipal deverá funcionar. Os privados não investem para perder dinheiro!

O principal accionista é a Câmara Municipal de Sever do Vouga e conta com um parceiro de peso neste projecto, a Universidade de Aveiro.

Se a autarquia severense conseguir candidatar este projecto ao QREN, Sever do Vouga, e toda a região, darão um salto qualitativo na valorização dos recursos humanos, indispensáveis ao progresso e desenvolvimento económico.

Continuo a crer que esta será uma das três apostas fortes do concelho de Sever do Vouga. As outras são a Barragem de Ribeiradio e as Minas do Braçal. Economia, Energia e Turismo deverão passar a ser as palavras-chave deste concelho. Neste caso a empresa municipal criada não tem como objectivo o clientelismo a que estamos habituados noutras paragens e poderá melhorar as condições de vida deste concelho.

É um exemplo de que nem sempre devemos generalizar...

sábado, 21 de julho de 2007

As dívidas das Câmaras

O 3ª. edição do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, com dados reportados a 2005, deixa dados preocupantes.
O estudo feito por quatro pessoas, uma delas que muito me honra por já ter feito alguns trabalhos universitários com ela (Susana Jorge) foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior traça alguns indicadores que revelam aquilo que muitos de nós já suspeitávamos. O excessivo endividamento das Câmaras Municipais.

Sempre defendi que as autarquias não servem para dar lucro, mas também defendo o equilíbrio financeiro, porque o contrário provoca desconfianças entre os fornecedores e "obriga-os" a subirem os preços para compensarem os atrasos nos pagamentos.
Um colega meu, vereador da Câmara de Anadia, confidenciava-me há dias que para um concurso que lançaram apareceram mais de 50 candidatos, entre eles as maiores empresas de construção. Porquê? Porque a Câmara de Anadia tem um prazo médio de pagamentos de 5 dias. "E é por razões burocráticas", dizia-me ele, "senão pagavamos na hora". Isto faz com que a autarquia possa negociar as obras e consiga-as mais baratas que noutros concelhos.
Na autarquia que presido não chegamos a este exagero, mas as dívidas são pagas em menos de 30 dias. É necessário dar alguma credibilidade às contas públicas para que várias pessoas que dependem dos fornecedores das Câmaras não fiquem sem o seu vencimento mensal. Provavelmente será necessário ensinar uma simples conta de merceeiro a determinados autarcas, para que não pague o justo pelo pecador.

Vejamos os municípios que apresentam o maior prazo médio de pagamentos:

1- Fornos de Algodres (Guarda)- 643 dias
2- Oliveira de Azeméis (Aveiro)- 520
3- Gondomar (Porto)- 506
4- Mondim de Basto (Vila Real)- 472
5- Ourique (Beja)- 413
6- Celorico da Beira (Guarda)- 409
7- Montemor-o-Novo (Évora)- 407
8- Porto Moniz (Madeira)- 403
9- Chamusca (Santarém)- 403
10- Lisboa (Lisboa)- 394
11- Valongo (Porto)- 349
12- Vagos (Aveiro)- 312
13- Mourão (Évora)- 311
14- Santarém (Santarém)- 306
15- Aveiro (Aveiro)- 294
16- Figueira da Foz (Coimbra)- 279
17- Sines (Setúbal)- 275
18- Santa Cruz (Madeira)- 261
19- São Pedro do Sul (Viseu)- 259
20- Covilhã (Castelo Branco)- 247
21- Sátão (Viseu)- 246
22- Vila Franca do Campo (Açores)- 238
23- Nazaré (Leiria)- 237
24- Vila do Conde (Porto)- 236
25- Machico (Madeira)- 236

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Poder de Compra

Afinal quem são os pobres de Portugal? A resposta está no Indicador do Poder de Compra que o INE (Instituto Nacional de Estatística) elabora com alguma regularidade. Entre os 308 municípios do país existem 30 que atingem um poder de compra entre 40 e 50% da média nacional. É nesses municípios que está a pobreza em Portugal. E é para esses concelhos que o Governo devia apontar medidas de descriminação positiva que permitam atenuar as assimetrias, cada vez mais acentuadas.

Os 30 concelhos com menor Poder de Compra no país são os seguintes (os dados reportam-se a 2004):

1-Celorico de Basto (Braga)- 41,77
2-Sernancelhe (Viseu)- 42,07
3-Cinfães (Viseu)- 42,71
4-Ribeira de Pena (Vila Real)- 43,78
5-Penalva do Castelo (Viseu)- 44,02
6-Câmara de Lobos (Madeira)- 44,35
7-Armamar (Viseu)- 44,55
8-Resende (Viseu)- 44,78
9-Vila Franca do Campo (Açores)- 45,09
10-Santana (Madeira)- 45,22
11-Nordeste (Açores)- 46,10
12-Alcoutim (Faro)- 46,24
13-Baião (Porto)- 46,31
14-Vinhais (Bragança)- 46,51
15-Boticas (Vila Real)- 46,56
16-Oleiros (Castelo Branco)- 47,40
17-Ribeira Grande (Açores)- 47,75
18-Meda (Guarda)- 48,32
19-Vila Nova de Paiva (Viseu)- 48,34
20-Ponta do Sol (Madeira)- 48,39
21-Castro Daire (Viseu)- 48,84
22-Tabuaço (Viseu)- 49,10
23-Terras de Bouro (Braga)- 49,36
24-Carrazeda de Ansiães (Bragança)- 49,42
25-Montalegre (Vila Real)- 49,61
26-Valpaços (Vila Real)- 49,76
27-Paredes de Coura (Viana do Castelo)- 49,83
28-Aguiar da Beira (Guarda)- 49,89
29-Penamacor (Castelo Branco)- 49,97
30-Mértola (Beja)- 50,01

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Desertificação Rural

O interior de Portugal está a perder população. As aldeias serranas e os concelhos do interior estão a ficar desertificados (aqui sim, senhor Ministro Mário Lino, poderá dizer que Portugal está a tornar-se num autêntico e preocupante deserto).

Em 2004, 12 dos 18 distritos do país tiveram um crescimento natural negativo. Com o encerramento de SAP's, de escolas e de outros serviços necessários aos cuidados primários das populações, é bem provável que a última metade desta década apresente níveis de desertificação ainda maiores.
O que quer o nosso Estado com estas medidas? Concentrar a população em apenas meia dúzia de cidades? Que benefícios poderão daí advir? O que ganha o país com a concentração da população?
Que argumentos têm para estas medidas é o que falta saber. Provavelmente os iluminados do Terreiro do Paço até estarão certos. Mas o que os impede de revelar as verdadeiras razões desta política de acabar com as aldeias? Haja clareza e transparência...

Deixo ficar os números dos distritos que foram mais afectados em 2004 no que toca ao crescimento natural (diferença entre nados-vivos e óbitos).
1- Guarda (-1284)
2- Castelo Branco (-1183)
3- Coimbra (-1147)
4- Santarém (-989)
5- Viseu (-970)
6- Beja (-930)
7- Bragança (-877)
8- Portalegre (-851)
9- Vila Real (-702)
10- Viana do Castelo (-556)
11- Évora (-456)
12- Leiria (-83)

E os distritos com crescimento natural positivo são:
1- Porto (5653)
2- Lisboa (4683)
3- Braga (3408)
4- Setúbal (1638)
5- Aveiro (934)
6- Faro (75)

As Regiões Autónomas também apresentaram crescimento natural positivo:
1- Açores (551)
2- Madeira (377)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Taxas de IRC na Europa

O IRC é um imposto sobre os rendimentos das empresas. Tendo em conta o último post resolvi deixar aqui as taxas nominais máximas praticadas em alguns países europeus no ano de 2006:

Alemanha-38,6%
Áustria-25%
Bélgica-33,99%
Chipre-10%
Dinamarca-28%
Eslováquia-19%
Eslovénia-25%
Espanha-35%
Estónia-0%
Finlândia-26%
França-33,33%
Grécia-29%
Holanda-29,6%
Hungria-16%
Irlanda-12,5%
Itália-33%
Letónia-15%
Lituânia-15%
Luxemburgo-29,63%
Malta-35%
Polónia-19%
Portugal-25%
Reino Unido-30%
República Checa-24%
Suécia-28%

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Moçambique

Recebi este mail de um colega moçambicano que gostaria de partilhar. As conclusões ficam para cada um.

"Caros Amigos,

Permitam-me compartilhar convosco esta triste constatação. Poderá não constituir novidade para muitos, mas gera-me uma tamanha indignação. Já imaginaram, por alto, quanto de imposto pagamos nesta nossa perola de índico que se chama Moçambique, cujo montante serve somente para suportar as despesas de funcionamento do Governo? Vamos lá fazer as contas:
Do nosso salário bruto, retêm na fonte entre 20 a 25% para pagamento do IRPS;
Quase todos os bens e serviços que adquirimos têm IVA a uma taxa de 17%;
Descontamos 3% do salário base para a segurança social obrigatória (INSS) – as empresas contribuem com 4% que poderia ser nosso;
Se a estas percentagens acrescermos a taxa de lixo, as taxas municipais, quanto fica? Portanto, entre 40 a 45% dos nossos salários vão para os cofres do Estado. Isto é, para quem recebe 30 mil meticais fica somente com pouco mais de 15 mil. O remanescente será para pagar as mordomias (que não são poucas!) do Governo e dos respectivos funcionários. E o quê é que recebemos em troca? (i) Educação? Não. Pela má qualidade, recorremos aos serviços privados – um relatório da UNICEF refere que no País as crianças com o nível primário concluído não sabem ler nem escrever. (ii) Saúde? Também, não. Vamos as clínicas privadas, aliás os próprios hospitais públicos têm clínicas especiais (iii) Segurança? Também, não. Confunde-se o polícia e o ladrão, pelo que para a nossa segurança recorremos também a privados. Ademais, são os reguladores de trânsito e os cinzentinhos que procuram situações para nos extorquir mais dinheiro. Numa situação destas, que incentivo tenho para pagar impostos? E que moral tem o Governo para me exigir? E depois questionam a razão da fuga ao fisco na pátria amada. Enfim, somos nós que trabalhamos para o bem-estar do Governo e não o contrário. É o país da marrabenta, onde o que está a dar é dzukuta
!"

BZ

domingo, 15 de julho de 2007

Vereadores da Câmara de Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa tem um novo grupo de vereadores resultantes das eleições intercalares deste dia 15 de Julho de 2007.
Dada a abstenção (62,61%) muito elevada, eram necessários 9.341 votos para eleger um vereador segundo o método de apuramento utilizado (Método de Hondt). A lista completa dos vereadores eleitos foram os seguintes, pela ordem de eleição:

1-António Luís Santos da Costa (PS)-57.907
2-António Pedro de Nobre Carmona Rodrigues (I)-32.734
3-Fernando Mimoso Negrão (PSD)-30.855
4-Manuel Sande e Castro Salgado (PS)-28.954
5-Maria Helena do Rego da Costa Salema Roseta (II)-20.006
6-Ana Sara Cavalheiro Alves de Brito (PS)-19.303
7-Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva (CDU)-18.681
8-Pedro José Del-Negro Feist (I)-16.367
9-José Frederico de Lemos Salter Cid (PSD)-15.428
10-Marcos da Cunha e Lorena Perestrello de Vasconcelos (PS)-14.477
11-José Paixão Moreira Sá Fernandes (BE)-13.348
12-Maria Rosária Vargas Esteves Lopes da Mota (PS)-11.582
13-Gabriela Maria Chico de Cardoso Seara (I)-10.912
14-Margarida Maria de Moura Alves da Silva de Almeida de Saavedra (PSD)-10.285
15-Manuel João Mendes da Silva Ramos (II)-10.003
16-José Vitorino de Sousa Cardoso da Silva (PS)-9.652
17-Rita da Conceição Carraça Magrinho (CDU)-9.341