quinta-feira, 10 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
domingo, 30 de março de 2008
Freguesias independentes ponderam criar associação alternativa à ANAFRE
O conjunto de 292 freguesias administradas por grupos de cidadãos independentes está a ponderar criar uma estrutura paralela à ANAFRE, por considerá-la «demasiado partidarizada». O presidente da associação já desvalorizou a iniciativa.
O conjunto de 292 freguesias administradas por grupos de cidadãos independentes que não se revê na actual Associação Nacional (ANAFRE) está a ponderar criar uma estrutura paralela.No 11º Congresso das Freguesias, que terminou este sábado no Funchal, foram apresentadas 18 moções, sendo apenas oito levadas a discussão e aprovadas, para além de terem sido eleitos os órgãos sociais da Associação, que não incluíram grupos de cidadãos independentes.
«Estávamos a propor a marcação de um congresso extraordinário que incluísse nos órgãos sociais elementos das freguesias eleitas através de grupos de cidadãos independentes, mas esta moção acabou por não ir a votação», revelou à TSF Edgar Jorge.
«Estamos descontentes e vamos ponderar a hipótese da criação de uma estrutura paralela à ANAFRE», adiantou o presidente da junta de freguesia de Cedrim, concelho de Sever do Vouga, considerando que a «ANAFRE está demasiado partidarizada».
Confrontado com estas críticas, o Presidente da ANAFRE desvalorizou-as, frisando que algumas das moções foram aceites e outras recusadas, o que mostra que a democracia está a «funcionar em pleno».
Armando Diniz Vieira preferiu centrar as atenções nos temas em debate no Congresso, afirmando que é necessária uma clarificação das competências entre municípios e freguesias e a aprovação da revisão das Leis das Finanças Locais, bem como o estatuto dos eleitos locais.
Com a devida vénia, da TSF
quinta-feira, 20 de março de 2008
Vergonha na Escola 2
O vídeo que coloquei abaixo chocou-me. Prolifera pelo Youtube, embora algumas versões tenham sido censuradas devido à violência.
Uma professora da Escola Carolina Michaelis, no Porto, retirou a uma aluna um telemóvel. A aluna não gostou e travou uma luta violenta com a professora.
Espero sinceramente que este seja um caso isolado. Mas mesmo assim é motivo de ampla preocupação. É aqui que deve ser centrado o debate da educação em Portugal e não na avaliação dos professores.
Parece que este caso vergonhoso se passou numa turma do 9º. ano. A aluna ficará marcada para toda a sua vida porque, seja lá o que vier a ser, nunca vai poder exigir respeito. Não o teve para com a sua professora. A professora vai sentir-se insegura naquela turma. Depois da humilhação que sofreu imagino a dificuldade que terá em voltar a encarar aquela aluna.
O caso é, no entanto, mais grave do que aparenta. A turma aparentou uma indiferença de mais de um minuto e depois aquela cena até recebeu alguns apoios. O aluno que filmava, também com um telemóvel, pedia aos colegas para sair da frente. Alguém advertia que "a velha vai cair".
Este caso foi divulgado no Jornal da Noite, na TVI. Será esta a realidade da educação? Porque se for imagino como será a escola do futuro. Um polícia em cada sala de aulas para garantir a segurança. Câmaras de vigilância (diversas) espalhadas pelas salas. À porta de cada escola haverá uma minuciosa revista para impedir a entrada de armas ou objectos que possam colocar em risco a vida de alguém. Estabelece-se o estado de sítio em cada estabelecimento de ensino. Será visto como um campo de batalha.
Talvez esteja na escola a razão do que vai mal. São estes alunos que amanhã serão os profissionais que estarão à frente dos desígnios políticos e técnicos do país? Ou será que os alunos aprendem estes comportamentos em casa?
Uma professora da Escola Carolina Michaelis, no Porto, retirou a uma aluna um telemóvel. A aluna não gostou e travou uma luta violenta com a professora.
Espero sinceramente que este seja um caso isolado. Mas mesmo assim é motivo de ampla preocupação. É aqui que deve ser centrado o debate da educação em Portugal e não na avaliação dos professores.
Parece que este caso vergonhoso se passou numa turma do 9º. ano. A aluna ficará marcada para toda a sua vida porque, seja lá o que vier a ser, nunca vai poder exigir respeito. Não o teve para com a sua professora. A professora vai sentir-se insegura naquela turma. Depois da humilhação que sofreu imagino a dificuldade que terá em voltar a encarar aquela aluna.
O caso é, no entanto, mais grave do que aparenta. A turma aparentou uma indiferença de mais de um minuto e depois aquela cena até recebeu alguns apoios. O aluno que filmava, também com um telemóvel, pedia aos colegas para sair da frente. Alguém advertia que "a velha vai cair".
Este caso foi divulgado no Jornal da Noite, na TVI. Será esta a realidade da educação? Porque se for imagino como será a escola do futuro. Um polícia em cada sala de aulas para garantir a segurança. Câmaras de vigilância (diversas) espalhadas pelas salas. À porta de cada escola haverá uma minuciosa revista para impedir a entrada de armas ou objectos que possam colocar em risco a vida de alguém. Estabelece-se o estado de sítio em cada estabelecimento de ensino. Será visto como um campo de batalha.
Talvez esteja na escola a razão do que vai mal. São estes alunos que amanhã serão os profissionais que estarão à frente dos desígnios políticos e técnicos do país? Ou será que os alunos aprendem estes comportamentos em casa?
Que saudades do meu tempo de escola!
terça-feira, 18 de março de 2008
Onde pára a polícia?
As notícias da TVI já começam a ser enfadonhas. São sempre as mesmas. Às vezes parece que a grelha é a mesma do dia anterior. Neste dia (17 de Março) a notícia de abertura do noticiário das 13 dava conta da onda de assaltos na zona de Sintra.
Grande novidade, pensava eu. Outra vez os tiros, os roubos, as mortes, o sangue. Como diria Albarran "o horror, o drama, a tragédia...".
Mas reflectindo melhor dei-me conta que o editor deste noticiário estava certo. É necessário continuar a denunciar os podres da nossa sociedade. Fiquei com a ideia que a notícia dava conta de bandos vindos de outros países. Talvez uma desculpa para nós portugueses. "Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Em minha casa mais alguém da minha família teve a mesma impressão:
-Mas porque os deixam entrar em Portugal se isto aqui já está tão mal, questionava.
-Porque nós também já fomos um país de emigrantes, retorqui, enquanto apressadamente mastigava mais um pouco de esparguete. E acrescentava que todos seriam bem vindos se viessem por bem. Mas de facto nem todos vêm. A Aldeia Global está a chegar ao nosso cantinho à beira mar plantado. Para o bem... e sobretudo para o mal.
As repercussões económicas como a subida dos preços do combustível, do pão, etc. são assaltos silenciosos às nossas carteiras. Hoje dizia-se que até ao final do ano o gasóleo podia chegar aos 1,50€/Litro. Mas a criminalidade não. É a violência pura a chegar à casa de todos nós, pela "caixinha que mudou o mundo".
Mata-se em Lisboa, mata-se no Porto e este fim-de-semana houve essa tentativa em Coimbra. As armas parecem proliferar por toda a parte. Quanto tempo faltará para que o editor jornalístico da TVI deixe de abrir um noticiário com uma morte de uma pessoa com dois tiros na cabeça? Quanto tempo faltará para que matar se banalize de tal forma que a imprensa se recuse noticiar? São perguntas preocupantes. Dei-me conta que enquanto o editor da TVI mantiver a abrir o noticiário uma onda de assaltos na zona de Sintra, estamos bem. O pior é quando já não for notícia, por ser tão usual.
CARRO ROUBADO: Há cinco anos cheguei numa manhã ao local onde presumia ter o meu carro. Não estava lá. Telefonei à minha amiga Luisa e contei-lhe o sucedido. "-Ó Ed, és meio despistado a estacionar, tens a certeza que foi aí que o deixaste?". Não tinha a certeza. Procurei um pouco mais até que me ocorreu que talvez tivesse ficado muito próximo de uma ligeira curva e tivesse sido rebocado pela polícia. "- Liga à Polícia que eles informam-te". Liguei.
"- Com essa matrícula não foi nenhum carro rebocado", garantiu-me o agente do outro lado da linha. O carro efectivamente tinha sido roubado.
Uns dias depois apareceram uns papéis, que trazia na viatura, na Mata Nacional Vale de Canas, em Coimbra. Fui num carro da polícia para os identificar. Era verdade. Os papéis tinham estado no meu carro. Não havia vestígios da viatura, mas havia naquele local uma seringa, limão e papéis ensaguentados.
Pedi à polícia que tirassem as impressões digitais. Olharam-se com cumplicidade e pareciam querer dizer-me que eu andava a ver muitas séries televisivas de ficção policial americana. "-Olhe que estamos em Portugal", parecia querer dizer-me o polícia mais velho. Não deram parte de fracos. Foram buscar luvas e um saco de plástico e introduziram-lhe alguns dos vestígios para "analisar" (santa ingenuidade).
De regresso confidenciaram-me que aquilo não serviria de nada. Protestei pelo serviço que a polícia fazia. Explicaram-me. "-Olhe, nós percebemos que esteja perturbado pelo que lhe aconteceu, mas acredite que não é por nossa causa que as coisas não estão melhores". -Então de quem é?, quis saber.
-"Há dias apanhamos um indivíduo a assaltar uma casa de um emigrante de Tovim. Trazíamos o bandido no carro e ele vinha a rir-se dizendo que ainda naquele dia estaria em liberdade. Foi presente a Tribunal e libertado nesse dia com termo de identidade e residência enquanto aguardava julgamento. Fez questão em passar por nós à saída do Tribunal, enquanto lá ficámos umas horas a preencher papelada."
-"Percebe o que lhe quero dizer?" Percebi perfeitamente. Não sou de compreensão lenta. Os polícias são pessoas como outras, com famílias, que tentam zelar pela nossa segurança mas sem qualquer apoio de retaguarda. Já vi advogados e juízes interrogar polícias, que testemunharam assaltos, como se fossem eles os ladrões.
Existe um divórcio entre a Lei (leia-se Tribunais) e quem zela pelo seu cumprimento (autoridades policiais). Enquanto isto acontecer a onda de violência vai ganhando o efeito bola de neve. Até ao dia em que irão voltar as milícias populares para fazerem justiça pelas próprias mãos.
Não são necessários mais quartéis, super-esquadras, polícias em cada esquina. São necessárias Leis justas que se cumpram exemplarmente sem subterfúgios.
Grande novidade, pensava eu. Outra vez os tiros, os roubos, as mortes, o sangue. Como diria Albarran "o horror, o drama, a tragédia...".
Mas reflectindo melhor dei-me conta que o editor deste noticiário estava certo. É necessário continuar a denunciar os podres da nossa sociedade. Fiquei com a ideia que a notícia dava conta de bandos vindos de outros países. Talvez uma desculpa para nós portugueses. "Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Em minha casa mais alguém da minha família teve a mesma impressão:
-Mas porque os deixam entrar em Portugal se isto aqui já está tão mal, questionava.
-Porque nós também já fomos um país de emigrantes, retorqui, enquanto apressadamente mastigava mais um pouco de esparguete. E acrescentava que todos seriam bem vindos se viessem por bem. Mas de facto nem todos vêm. A Aldeia Global está a chegar ao nosso cantinho à beira mar plantado. Para o bem... e sobretudo para o mal.
As repercussões económicas como a subida dos preços do combustível, do pão, etc. são assaltos silenciosos às nossas carteiras. Hoje dizia-se que até ao final do ano o gasóleo podia chegar aos 1,50€/Litro. Mas a criminalidade não. É a violência pura a chegar à casa de todos nós, pela "caixinha que mudou o mundo".
Mata-se em Lisboa, mata-se no Porto e este fim-de-semana houve essa tentativa em Coimbra. As armas parecem proliferar por toda a parte. Quanto tempo faltará para que o editor jornalístico da TVI deixe de abrir um noticiário com uma morte de uma pessoa com dois tiros na cabeça? Quanto tempo faltará para que matar se banalize de tal forma que a imprensa se recuse noticiar? São perguntas preocupantes. Dei-me conta que enquanto o editor da TVI mantiver a abrir o noticiário uma onda de assaltos na zona de Sintra, estamos bem. O pior é quando já não for notícia, por ser tão usual.
CARRO ROUBADO: Há cinco anos cheguei numa manhã ao local onde presumia ter o meu carro. Não estava lá. Telefonei à minha amiga Luisa e contei-lhe o sucedido. "-Ó Ed, és meio despistado a estacionar, tens a certeza que foi aí que o deixaste?". Não tinha a certeza. Procurei um pouco mais até que me ocorreu que talvez tivesse ficado muito próximo de uma ligeira curva e tivesse sido rebocado pela polícia. "- Liga à Polícia que eles informam-te". Liguei.
"- Com essa matrícula não foi nenhum carro rebocado", garantiu-me o agente do outro lado da linha. O carro efectivamente tinha sido roubado.
Uns dias depois apareceram uns papéis, que trazia na viatura, na Mata Nacional Vale de Canas, em Coimbra. Fui num carro da polícia para os identificar. Era verdade. Os papéis tinham estado no meu carro. Não havia vestígios da viatura, mas havia naquele local uma seringa, limão e papéis ensaguentados.
Pedi à polícia que tirassem as impressões digitais. Olharam-se com cumplicidade e pareciam querer dizer-me que eu andava a ver muitas séries televisivas de ficção policial americana. "-Olhe que estamos em Portugal", parecia querer dizer-me o polícia mais velho. Não deram parte de fracos. Foram buscar luvas e um saco de plástico e introduziram-lhe alguns dos vestígios para "analisar" (santa ingenuidade).
De regresso confidenciaram-me que aquilo não serviria de nada. Protestei pelo serviço que a polícia fazia. Explicaram-me. "-Olhe, nós percebemos que esteja perturbado pelo que lhe aconteceu, mas acredite que não é por nossa causa que as coisas não estão melhores". -Então de quem é?, quis saber.
-"Há dias apanhamos um indivíduo a assaltar uma casa de um emigrante de Tovim. Trazíamos o bandido no carro e ele vinha a rir-se dizendo que ainda naquele dia estaria em liberdade. Foi presente a Tribunal e libertado nesse dia com termo de identidade e residência enquanto aguardava julgamento. Fez questão em passar por nós à saída do Tribunal, enquanto lá ficámos umas horas a preencher papelada."
-"Percebe o que lhe quero dizer?" Percebi perfeitamente. Não sou de compreensão lenta. Os polícias são pessoas como outras, com famílias, que tentam zelar pela nossa segurança mas sem qualquer apoio de retaguarda. Já vi advogados e juízes interrogar polícias, que testemunharam assaltos, como se fossem eles os ladrões.
Existe um divórcio entre a Lei (leia-se Tribunais) e quem zela pelo seu cumprimento (autoridades policiais). Enquanto isto acontecer a onda de violência vai ganhando o efeito bola de neve. Até ao dia em que irão voltar as milícias populares para fazerem justiça pelas próprias mãos.
Não são necessários mais quartéis, super-esquadras, polícias em cada esquina. São necessárias Leis justas que se cumpram exemplarmente sem subterfúgios.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Chegaram as andorinhas!
Hoje mal saí de minha casa tinha uma surpresa à porta: as andorinhas chegaram. De longe, muito longe. Voaram milhares de quilómetros para vir pousar à porta de minha casa, nos fios da electricidade.Não queria escrever hoje. Mas a chegada das andorinhas motivou-me. Tenho uma ligação afectiva muito grande com estas aves.
Quando era muito novo tinha o costume de ir caçar com o meu pai aos domingos. Ele andou em África dois anos e vinha com o "vício" da caça. Com uma arma de pressão lá íamos aos pardais. A espera debaixo das árvores dos pomares que circundam a minha casa era uma aventura. Não tinha nenhum sentimento de culpa por matar pardais, piscos, melros, ou, mais difícil carriças (pássaros muito pequenos e sempre a mexerem-se de galho em galho), gaios ou pegas.
Numas das excursões que o meu pai organizava a Espanha, comprei na cidade fronteiriça de Tui, por pouco mais de mil escudos (umas duas mil e tal pesetas, na altura), uma arma de pressão e duas ou três caixas de "chumbos" (a munição daquela arma).
A porcaria da arma tinha a mira desregulada e era raro acertar nos pássaros, ao contrário da arma de meu pai, com mira certeira.
Certo dia, junto a minha casa, próximo do local onde hoje de manhã vi as primeiras andorinhas deste ano, vi um daqueles pássaros migratórios. Peguei na minha arma de pressão espanhola, de mira desregulada, e dei a devida folga para ver se acertava naquela ave. Após o disparo a andorinha caiu abruptamente na vertical, inanimada, ensanguentada e como a seguir constatei, morta.
Já foi há muitos anos. Não sei dizer quantos. Mas este facto marcou-me para o resto da vida. Nunca mais utilizei a arma de pressão para matar o que quer que fosse. E as armas só regressaram às minhas mãos quando cumpria o serviço militar. Na altura fiquei horrorizado. "Como era possível uma ave daquelas ter percorrido milhares de quilómetros para que eu, apenas com um ligeiro toque no gatilho de uma arma de pressão, lhe tivesse retirado a vida", pensei eu.
Peguei na andorinha morta. Estive demoradamente com ela na mão. Vi uns parasitas idênticos a moscas que circulavam entre as suas penas macias, mas o meu sentimento de culpa era demasiado grande para pensar nas implicações higiénicas.
O meu prazer em caçar terminou naquele momento. Anos mais tarde, acordavam-me todos os dias por volta das seis da manhã. Estudava em Coimbra e o seu chilriar era ensurdecedor mal o céu clareava. Não conseguia dormir depois dessa hora. Era o castigo.
Curiosamente sou actualmente militante de um partido que tem como símbolo... uma andorinha.
Sei que já me perdoaram e é por isso que não imaginam a alegria que tive hoje, ao sair de casa, e vêr as descendentes daquela a quem um dia tirei a vida. Elas anunciam a primavera, a esperança no futuro, auguram coisas boas. É assim durante metade do ano, até ao dia em que se juntam e em debandada regressam ao sul.
quarta-feira, 12 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
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