segunda-feira, 23 de maio de 2011

PORTO: Um “Porto” de honra…

O distrito do Porto é o 2º. maior círculo eleitoral, elegendo 39 (dos 230) deputados. Registou um aumento de 1,1% no número de eleitores entre 2009 e 2011 passando de 1.550.752 para 1.567.758 inscritos. Em 2009 foram votar 1.009.488 (65,10%) dos eleitores deste distrito. O elevado número de deputados para eleição leva os partidos a fazer do Porto um ponto de passagem obrigatória.

O PS poderá baixar até três deputados. Elegeu 18 em 2009. E mesmo ganhando neste distrito em número de votos corre o risco de igualar o PSD em número de deputados. Os sociais-democratas elegeram 12 em 2009. O CDS-PP corre o risco de perder aqui um deputado (4 em 2009). Tanto o BE como a CDU poderão ganhar um deputado neste círculo. Em 2009 os bloquistas obtiveram 3 e os comunistas 2. Será certamente uma das principais apostas dos cinco principais partidos que aqui jogarão todos os trunfos.

As dez maiores freguesias deste distrito são: 1º. Rio Tinto (Gondomar): 42.252 eleitores; 2º. Paranhos (Porto): 41.793; 3º. Ermesinde (Valongo): 34.388; 4º. Mafamude (Vila Nova de Gaia): 33.601; 5º. Campanhã (Porto): 32.569; 6º. Ramalde (Porto): 32.367; 7º. Matosinhos (Matosinhos): 27.215; 8º. Póvoa de Varzim (Póvoa de Varzim): 27.109; 9º. Santa Marinha (Vila Nova de Gaia): 25.935; 10º. Bonfim (Porto): 24.359. Estas 10 freguesias representam 20,51% do total dos votos do círculo eleitoral do Porto.

Os 39 deputados deste distrito deverão ser assim distribuídos: PS (15 a 18 deputados), PSD (12-15), CDS-PP (3-4), BE (3-4) e CDU (2-3). O PS apresenta Francisco Assis, Alberto Martins e Isabel Santos nas primeiras posições. O PSD candidata Aguiar Branco, Teresa Coelho e Miguel Frasquilho. O CDS-PP apresenta Ribeiro e Castro, João Pinho de Almeida e Cecília Meireles. O BE indica João Semedo, Catarina Martins e José Borges Soeiro. Honório Novo, Artur Machado e Paula Baptista são as apostas da lista da CDU.

domingo, 22 de maio de 2011

BRAGA: Seguro deverá segurar vitória

Braga não é só o 3º. maior círculo eleitoral, é também um distrito em acentuado crescimento. Os eleitores eram 762.944 em 2009 e passaram a ser 774.022 em 2011 (+1,45%). A taxa de abstenção é das mais reduzidas. Em 2009 foram votar 497.702 (65,23%) dos eleitores deste distrito. Mantém a eleição de 19 deputados à Assembleia da República.

O PS poderá baixar um deputado, mas deve assegurar a vitória em número de votos. O PSD deverá ficar entre os 6 que elegeu em 2009 e empatar com o PS, elegendo 8 deputados. Será muito difícil ao CDS eleger o 3º. Deputado, mas deverá manter os 2 deputados que elegeu neste círculo. O Bloco de Esquerda também manterá o deputado eleito. Não é certa a eleição do deputado que a CDU elegeu nas últimas eleições.

As dez maiores freguesias deste distrito são: 1º. São Vítor (Braga): 22.739 eleitores; 2º. Fafe (Fafe): 14.616; 3º. São José de São Lázaro (Braga): 12.454; 4º. Arcozelo (Barcelos): 10.335; 5º. São Vicente (Braga): 10.255; 6º. Calendário (Vila Nova de Famalicão): 9.786; 7º. Creixomil (Guimarães): 7.941; 8º. Maximinos (Braga): 7.620; 9º. Ribeirão (Vila Nova de Famalicão): 7.273; 10º. Vila Nova de Famalicão (Vila Nova de Famalicão): 6.917. Estas 10 freguesias representam 14,20% do total dos votos do círculo eleitoral de Braga.

Os 19 deputados deste distrito deverão ser assim distribuídos: PS (8 a 9 deputados), PSD (6-8), CDS-PP (2), BE (1) e CDU (0-1). O PS apresenta António José Seguro, António Braga e Gabriela Canavilhas nas primeiras posições. O PSD candidata Miguel Macedo, Fernando Negrão e Francisca Almeida. O CDS-PP apresenta Telmo Correia e Altino Bessa. O BE indica José Maria Cardoso como cabeça de lista. Agostinho Lopes encabeça a lista da CDU.

BRAGANÇA: Fica tudo na mesma

Bragança desceu no número de eleitores. Eram 156.335 em 2009 e passaram a ser 153.902 em 2011 (-1,56%). Em 2009 só 83.984 (53,72%) dos eleitores deste distrito foram às urnas votar. Mantém a eleição de 3 deputados à Assembleia da República.

Não se vislumbra qualquer alteração no figurino dos deputados. Dois serão para o PSD e um para o PS.

As dez maiores freguesias deste distrito são: 1º. Sé (Bragança): 15.696 eleitores; 2º. Mirandela (Mirandela): 9.840; 3º. Macedo de Cavaleiros (Macedo de Cavaleiros): 5.821; 4º. Santa Maria (Bragança): 3.365; 5º. Mogadouro (Mogadouro): 3.076; 6º. Torre de Moncorvo (Torre de Moncorvo): 2.739; 7º. Vinhais (Vinhais): 2.229; 8º. Vila Flor (Vila Flor): 2.160; 9º. Freixo de Espada à Cinta (Freixo de Espada à Cinta): 2.018; 10º. Alfândega da Fé (Alfândega da Fé): 1.910. Estas 10 freguesias representam 31,74% do total dos votos do círculo eleitoral de Bragança.

Os 3 deputados deste distrito deverão ser assim distribuídos: PSD (2 deputados) e PS (1). O PSD apresenta Francisco José Viegas e Adão Silva nas primeiras posições. O PS candidata Mota Andrade como cabeça de lista.


VILA REAL: CDS pode “roubar” deputado a Passos

Vila real registou uma ligeira subida nos eleitores. Eram 236.322 em 2009 e passaram a ser 236.501 em 2011 (+0,08%). Em 2009 só 126.520 (53,54%) eleitores deste distrito foram exercer o direito de voto. Mantém a eleição de 5 deputados à Assembleia da República.

Segundo os dados de 2009, o CDS-PP está a menos de 5.000 votos de poder vir a eleger um deputado. Se o CDS-PP conseguir esta proeza vai retirá-lo ao PSD. A luta em Vila Real vai pois travar-se à direita. Os dois maiores partidos parece terem assegurado um mínimo de 2 deputados eleitos neste círculo.

As dez maiores freguesias deste distrito são: 1º. Santa Maria Maior (Chaves): 11.884 eleitores; 2º. Nossa Senhora da Conceição (Vila Real): 6.870; 3º. São Pedro (Vila Real): 4.810; 4º. Peso da Régua (Peso da Régua): 4.754; 5º. Valpaços (Valpaços): 4.538; 6º. Godim (Peso da Régua): 4.264; 7º. Vila Pouca de Aguiar (Vila Pouca de Aguiar): 3.451; 8º. São Dinis (Vila Real): 3.416; 9º. Mondim de Basto (Mondim de Basto): 3.223; 10º. Mouçós (Vila Real): 3.114. Estas 10 freguesias representam 21,28% do total dos votos do círculo eleitoral de Vila Real.

Os 5 deputados deste distrito deverão ser assim distribuídos: PSD (2 a 3 deputados), PS (2) e CDS-PP (0-1). O PSD apresenta Pedro Passos Coelho, Luís Leite Ramos e Maria Manuela Tender nas primeiras posições. O PS candidata-se com Pedro Silva Pereira e Rui Santos. O CDS indicou Joana Rapazote para cabeça de lista.

VIANA DO CASTELO: 7.000 votos vão valer um deputado...

Este distrito do norte de Portugal subiu de 255.700 para 257.580 eleitores entre 2009 e 2011 (+0,74%). Mas em 2009 só 141.482  eleitores (55,33% do total dos inscritos) deste distrito foram exercer o direito de voto. Mantém a eleição de 6 deputados à Assembleia da República.

Para que o CDS-PP perca o deputado eleito neste círculo seria necessário perder quase 4.500 votos, o que não parece razoável. Este partido deixa mais 5 deputados para serem distribuídos por PS e PSD. Em 2009 o partido de José Sócrates levou a melhor por 6.978 votos. É esta diferença que deverá fazer a diferença para saber qual o partido do Bloco Central que elege 3 e que elege 2 deputados. Quem ganhar em Viana do Castelo tem garantidos 3 deputados já que o BE precisaria de mais 5.000 votos para também entrar na corrida aos deputados deste distrito.

As dez maiores freguesias deste distrito são: 1º. Santa Maria Maior (Viana do Castelo): 9.985 eleitores; 2º. Meadela (Viana do Castelo): 8.075; 3º. Darque (Viana do Castelo): 7.260; 4º. Monserrate (Viana do Castelo): 5.203; 5º. Vila Praia de Âncora (Caminha): 4.888; 6º. Areosa (Viana do Castelo): 4.381; 7º. Barroselas (Viana do Castelo): 3.949; 8º. Santa Marta de Portuzelo (Viana do Castelo): 3.631; 9º. Castelo do Neiva (Viana do Castelo): 3.512; 10º. Arcozelo (Ponte de Lima): 3.392. Estas 10 freguesias representam 21,07% do total dos votos do círculo eleitoral de Viana do Castelo.

Os 6 deputados deste distrito deverão ser assim distribuídos: PS (2 a 3 deputados), PSD (2-3) e CDS-PP (1). O PS apresenta Fernando Medina, Jorge Fão e Sandra Pontedeira nas primeiras posições. O PSD candidata-se com Carlos Abreu Amorim, Eduardo Teixeira e Rosa Maria Arezes. O CDS indicou Abel Baptista para cabeça de lista.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma questão de varão

Antigamente as meninas casadoiras aprendiam a cozinhar, a fazer tricô, a bordar, a educar crianças e a governar o lar, treinavam um conjunto de qualidades que faziam as delícias do futuro marido. Ainda me lembro de uma iniciativa promovida pela Mocidade Portuguesa Feminina para incentivar as meninas prendadas da sociedade do antigo regime - o concurso da rapariga ideal.
Hoje as meninas continuam a sonhar com o casamento, mas em vez de bordados e de culinária, procuram outras formas de agradar aos homens e é aqui que entra em campo a dança do varão. O varão democratizou-se, deixou de ser feudo dos clubes de strip e de outras casas de fama incerta. Apesar do eterno estigma sobre as actividades lúdicas, nos meios mais evoluídos, uma prostituta não é exactamente o mesmo do que uma stripper e uma stripper não é exactamente o mesmo do que uma dançarina exótica, embora no final tudo venha a dar ao mesmo: fomentar o desejo sexual nos homens. Ora se umas botas altas, uma lingerie sexy e uma coreografia à volta de um varão de aço fazem os homens felizes, por que não fazer um show privado, surpreendendo a nossa cara-metade com uma exibição caseira, semiprofissional, esforçada e dedicada? É o conceito do home cinema, do 'faça você mesmo' ao serviço do prazer doméstico, a bem da harmonia do casal.

Há quem core de vergonha, se escude no pudor e diga 'nem pensar' enquanto tapa a boca com a mão, e há também quem se dedique de alma e corpo a entrar na dança. A frequência destes cursos é eclética: tanto podem ser candidatas a trabalhadoras de clubes nocturnos como contabilistas, professoras universitárias, advogadas, gestoras e até educadoras de infância. O varão faz com que as mulheres possam encarnar uma personagem, vestir a pele da outra, que é a sedutora, a amante, a devassa, a louca, a que usa o seu corpo para seduzir os homens e fazer deles o que quer. O mais irónico é que muitas das mulheres que frequentam as aulas do varão com devoção e afinco são as mesmas que receberam uma educação esmerada, intoxicada de preconceitos, que professava que uma senhora não faz isto e aquilo porque parece mal, bebendo desde pequenas, juntamente com o leite com chocolate, uma série de ideias feitas, entre as quais não consta enquanto qualidade a de saber pendurar-se no varão e descer de cabeça para baixo com as pernas abertas para depois se rebolar no chão, sempre de rabo espetado, e voltar a levantar-se para mais 30 voltas em redor do aço erecto.

Então por que razão aderem estas mulheres à dança exótica? Porque se querem sentir poderosas, porque querem libertar a fera que há nelas, porque se sentem livres, porque se divertem. E, já agora, porque os namorados e os maridos adoram. Nem sempre o assumem, poucas vezes o partilham com os amigos, mas a verdade é que também eles se divertem. Afinal, a teoria de Marco Paulo da lady na mesa e da louca na cama é sábia e certeira; se for possível juntar o dois em um, porque não? É tudo uma questão de varão.

Margarida Rebelo Pinto, jornal "Sol" (09/10/2009)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma mãe tem de ser chata

"Uma mãe tem que ser chata. Até à hora da morte. E até depois disso: mesmo quando já se tiver mudado de armas e bagagens para o Paraíso, uma progenitora digna desse nome continua a dar ordens e a mandar vestir um casaquinho nos dias em que ameaça chover.

Uma mãe de jeito tem que pregar insuportáveis sermões, deve vender os seus VALORES e convicções sem medo de estar a ser politicamente incorrecta, confirmar se as unhas estão cortadas, apagar a televisão a meio de um episódio emocionante, desligando sem remorsos o computador se alguma das suas criaturas se recusa a ir para a cama, por se julgar na obrigação de pôr a conversa em dia com todas as amigas e inimigas. Uma mãe pode e deve mandar colocar a loiça na máquina, arrumar o quarto, e não se deve COMOVER nem um bocadinho quando ele/ela lhe diz que «todos os outros pais deixam!». Tem também de aceitar que lhe chamem forreta - afinal o que é que lhe custava sacar vinte euros ao multibanco para a entrada numa discoteca - e que «não percebe nada de nada». As mães são velhas, ponto final. E de alguém que sobreviveu à Idade da Pedra não se podem esperar conselhos úteis ao século XXI. As mães, além de chatas, forretas, velhas e gagás, também estão sempre em falta: ou não marcaram uma consulta, ou foram (ou não foram) a uma reunião da escola, ou falaram alto de mais na rua, ou baixo de mais no supermercado. É que se as mães não forem CHATAS, nunca poderão tirar a prova dos nove. E a prova dos nove é ter filhos que refilam, protestam e se recusam a submeter-se à sua autoridade, ou seja, filhos dignos desse nome. Por isso, mães de todo o mundo, unam-se para lhes darem cabo do juízo. É uma obrigação patriótica, se não queremos um planeta invadido por atadinhos, mal-educados, que cospem na sopa e não ajudam as velhinhas a atravessar a rua."
Isabel Stilwell, Notícias Magazine (06/05/2007)