terça-feira, 21 de abril de 2009

4 contra 1 ou 1 contra 4?

Nos anos idos de 1990/1991 dei instrução militar, como 2º. Furriel, no Regimento de Infantaria de Tomar. Na altura recorda-me do Aspirante, comandante do meu pelotão, detestar a tropa, onde andava porque era obrigado, leia-se, era miliciano.

Como tal acontecia, nos exercícios mais violentos como as GAM’s (Ginástica de Aplicação Militar), também conhecida no meio militar como “Ginástica Até à Morte”, dada a intensidade dos exercícios, o Aspirante delegava em mim tais tarefas de instrução dos soldados.
Certa vez, quando ensinava “Ordem Unida”, ou seja, instruía soldados na marcha militar, todos levavam o pé esquerdo à frente excepto um. Gostava de brincar, confesso. Como ainda hoje. Virei-me para ele, à frente de todo o pelotão e exclamei: “estão todos errados, só você é que vai bem”.

Tudo isto a propósito dos “quatro contra um” com que Vital Moreira, cabeça de lista do PS às Europeias do próximo dia 7 de Junho, referiu-se no “Prós e Contras” desta segunda-feira aos líderes do PSD, CDS-PP, CDU e BE. Nuno Melo (CDS-PP) ainda respondeu: “não será antes um contra quatro?”.

Vital Moreira mostrou-se muito frágil. Paulo Rangel acusou-o constantemente de sofrer de “estalinismo”. Eu observei-o mais em grandes exercícios de eufemismo. A oposição aproveitou-se da situação com algumas incoerências internas nos candidatos socialistas. Como pode chegar um Constitucionalista (com C grande), deste gabarito, andar metido no meio de um meio que não é o seu? Tentou defender o PS, o Governo e sobretudo Sócrates sobre tudo. Muito melhor que alguns socialistas (sim, porque Vital Moreira não é militante). E não me estou a referir a Manuel Alegre!

PAULO RANGEL: Com um perfil muito institucional mostrou estar à altura do debate mas deixou um “low profile” que dificilmente se traduzirá em votos. Manuela Ferreira Leite arriscou o seu maior delfim mas terá de pensar já no “day after” às Europeias. Adivinho um resultado frouxo para o maior partido da oposição.

CDS/CDU/BE: Nuno Melo, Ilda Figueiredo e Miguel Portas ganharam este debate derrotando o Bloco Central. Este dado poderá ser importante nestas eleições, sobretudo porque a grande abstenção que se deverá verificar virá certamente de eleitorado destes dois partidos.

E OS OUTROS?: Fátima Campos Ferreira é uma grande jornalista. A prova disso está nos debates que promove semanalmente no “Prós e Contras”. Contudo, tendo em conta que o debate era sobre as Europeias pergunto: Só existem cinco partidos? Se não, então onde estão os outros? Existem novos movimentos que poderão mudar a política e criar novos paradigmas. Existem partidos como o PND, PCTP-MRPP, PNR, Partido Humanista que também se apresentarão certamente nestas eleições. Até se prevê a existência no boletim de voto português do “Libertas”, um partido de um magnata irlandês! E estes? Foram convidados? Não têm direito a terem opinião? O Serviço Público é só para alguns?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pink Floyd vs Eric Prydz PROPER EDUCATION Video Mashup Kings

Quem tem medo dos Rankings Escolares?

Só tem medo de ser avaliado quem não acredita no seu trabalho ou discorda dos critérios de avaliação. Isto vem a propósito do texto do "Sol" desta semana sobre a tese de mestrado apresentada pelo economista André Sampaio (filho do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio) que defende Rankings Oficiais das Escolas.

André Sampaio defende, e eu concordo, que deveria ser o Ministério da Educação a elaborar esse Ranking, e não a Comunicação Social. "O que há agora são rankings de exames e não de escolas" diz Couto dos Santos, ex-ministro da Educação do PSD, no mesmo artigo do "Sol".
Factores como a nota dos alunos no início e no final do ciclo, o contexto socioeconómico dos estudantes e o número de matrículas rejeitadas e anuladas, bem como "o esforço das escolas" são tidos em conta pelo economista que propõe mais provas nacionais e a divisão do ano lectivo em dois semestres (como se passa no ensino superior).


PRÉMIOS: André Sampaio considera que deveriam haver prémios para os melhores docentes. "Isolando, o efeito de cada professor na nota dos alunos, seria possível identificar os melhores e atribuir uma remuneração adicional para premiar o mérito".

PÚBLICO/PRIVADO: Sempre defendi que na Saúde e na Educação não devia haver privados. E, a haver, não deviam receber qualquer subvenção estatal, cumprindo integralmente as normas em vigor. São funções de um Estado, que não pode recusar, ou transferir, esta sua competência. Infelizmente as pessoas sentem-se melhor acolhidas em estabelecimentos de ensino ou de saúde privados. Claro que depois quem paga essa qualidade é o próprio Estado, que nos seus estabelecimentos não consegue implantar modelos de satisfação dos utentes como apresenta o Privado.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Bloco de Esquerda: Penalizar quem produz?

Já almocei duas vezes com Francisco Louçã (líder do Bloco de Esquerda) em Albergaria-a-Velha e numa das vezes frente-a-frente. Reitero as palavras que lhe disse naquela altura (há nove anos): "O senhor é uma figura importante para a democracia portuguesa".

Louçã tem carisma e o BE arrisca-se, segundo as mais recentes sondagens, a ser a terceira força partidária nas próximas eleições. O Marketing, e a moda da esquerda, levaram o partido até um importante grupo parlamentar de oito deputados (em 230) que já ninguém menospreza. Recorde-se que o BE nasceu em Março de 1999 com a união do movimento "Política XXI" e dos partidos PSR (de inspiração "trotskista") e UDP (partido "maoísta"), ambos com mais de um quarto de século.

As palavras de Louçã são frias, mas vão ao encontro dos descontentes com os supostos criadores de riqueza. Se é certo que a maioria das riquezas em Portugal levantam muitas dúvidas (a provar estão as propostas sociais-democratas e comunistas à penalização do enriquecimento ilícito), também é certo que não podemos confundir a floresta com as árvores.

CARTAZ: O cartaz que o BE exibe actualmente indicia que o partido defende a nacionalização da GALP e da EDP, apenas porque geraram avultados lucros numa altura de crise acentuada. Acontece que o principal móbil de uma empresa é gerar lucro. Ou preferirá o BE as empresas, como a CP, que geram obscenos prejuízos? Se o cartaz defendesse a nacionalização porque se tratam de duas empresas estratégicas para a soberania nacional, até podia compreender os argumentos. Agora, criticar uma empresa porque dá lucros é algo subversivo que premeia a falta de produtividade (um dos males nacionais).

Conta-se que Olof Palme (primeiro-ministro sueco entre 1969 e 1976) visitou Portugal no período seguinte ao 25 de Abril de 1974, supostamente para melhor perceber a revolução lusa e terá perguntado a alguém: "O que é que vocês, portugueses, querem com esta revolução?". Alguém terá dito prontamente: "Acabar com os ricos!". Ao que Olof Palme, espantado, terá dito: "Engraçado, nós na Suécia queremos é acabar com os pobres". Voltamos à velha questão de quem olha o copo meio vazio, quando ele está meio cheio.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Portugal tem auto-estradas a mais?

Gostei particularmente do artigo do Expresso da última semana que diz que em Portugal existem nove auto-estradas a mais. Existirão?

José Manuel Vieira, professor do IST, alega que uma auto-estrada deverá ser utilizada diariamente por um mínimo de 10 a 12 mil veículos (valor de referência internacional). Ora, tendo em conta estes valores, estão abaixo deste limite 3 auto-estradas no Norte (A11-9692 veículos, A7-8700 e A24-5839), 2 no Centro (A17-4528 e A14-5473) e 4 no Sul (A15-5693, A10-7682, A13-5109 e A6-5446).
Este artigo revela, referindo dados do Eurostat, que "Portugal é dos países da Europa com mais auto-estradas por habitante e densidade geográfica e que a Região de Lisboa e Vale do Tejo é a "campeã" da Europa".

CUSTO/BENEFÍCIO: Cavaco Silva diz que "em Portugal ainda se confunde custo com benefício. Uma estrada é toda ela custos. O benefício é o trânsito que passará nela. Se não houver trânsito não há benefício, é zero". O novo-riquismo que ainda impera entre nós cega-nos de exemplos vindos do país vizinho. Em Espanha há autopistas (auto-estradas com elevados níveis de serviço e capacidade de tráfego) e as autovias (auto-estradas em zonas de menor tráfego, com especificações técnicas inferiores, mas pouco visíveis para os utilizadores. O custo de uma autovia espanhola fica em 60% do de uma autopista.

CONTRAS: Contra a política do betão estão vários indicadores. Em Portugal existem 500 veículos por mil habitantes. A construção do TGV entre Lisboa e Porto, um trajecto feito em menos de duas horas, prevêm-se quebras na utilização da auto-estrada. O Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, estima em seis milhões de passageiros para este troço ferroviário. Na União Europeia as apostas são contrárias às vias rodoviárias. O relançamento económico dá prioridade ao transporte marítimo e à ferrovia.

BOM SENSO: A falta de estudos a prazo e a progressiva desertificação do interior em que este Governo parece estar apostado não permite o bom senso necessário. Proliferam um rol de novas auto-estradas previstas para o litoral. Actualmente a capacidade das auto-estradas que ligam Lisboa ao Porto é de 150 mil veículos diários, mas só lá passam 50,5 mil carros por dia. Apesar disso o Governo prevê uma nova auto-estrada para ligar as duas principais cidades portuguesas. Apesar de não serem rentáveis, concordo em pleno com as auto-estradas A7 (Famalicão à A24-Ribeira de Pena) e com a A24 (Viseu-Chaves) no Norte e com a A13 (Almeirim-Marateca) e A6 (Marateca-Elvas) porque desenvolvem regiões "deprimidas".

FUTURO: Ao contrário da política de desertificação do interior, defendida pelo Governo de Sócrates, eu optaria por uma solução diferente: não construir mais qualquer auto-estrada no litoral (quando muito melhorar as existentes). Em vez disso defendia quatro novas auto-estradas que colmatariam as assimetrias notórias que ainda se verificam no mapa português: as ligações Bragança-Guarda, Guarda-Leiria, Leiria-Elvas e Elvas-Faro.

sábado, 4 de abril de 2009

Pela Defesa da Língua Portuguesa

Não resisto em pedir a todos os leitores deste Blog que defendam a língua portuguesa. A nossa língua é o nosso pedaço de cultura mais importante, do que nos resta.